quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Síndrome da Sexta-Feira

Talvez eu seja a única pessoa no Universo que sofre dessa síndrome. Talvez ela nem exista!
Pessoas normais se perguntam: "Como assim, ela entra em depressão toda sexta??? Eu fico 'deprê' domingo, porque sei que está chegando segunda e o fim de semana termina!"

Pois é! Pra todo mundo é assim. A sexta é o dia de comemorar, se divertir com os amigos, etc.

Para mim, a sexta é o dia da semana em que eu acordo mais cedo. Acordo às cinco da manhã, vou para o outro lado da cidade (literalmente) e tenho que passar quatro horas com o sorriso mais forçado que consigo, fingindo estar feliz só para que a minha cara não irrite pessoas que nem se dão ao trabalho de me dizer "bom dia", ou de dar um sorriso sincero. Apenas olhares de "Lá vem aquela garota lunática de novo! O que ela ainda faz aqui?"

A única coisa boa, é que a viagem de ônibus leva uma hora e meia. Levo meu celular com o cartão de memória e bateria cheios. Coloco minhas músicas, reflito pelo caminho sobre o caminho que sigo em  minha vida. Sobre as estradas que percorri, sobre o rumo em que caí... sobre os becos, como as sextas-feiras, em que fico presa com frequência.

Sempre choro no caminho de volta pra casa, me perguntando em que parte do caminho eu tropecei para ter chegado aqui desse jeito, toda ferida. Mas sei que não foi um tropeço. Eu nunca pisei em nada que pudesse me fazer cair. O que acontece são pés que se colocam à frente das minhas pernas pra que eu desista.

Algumas vezes deram certo. Outras, eu me revoltei. Me revoltei contra essa injustiça absurda. E ignorei. Então os pés sumiram, e viraram o silêncio abstrato das minhas angústias, assombrando minhas tardes de solidão.

Mas, o que eu mais queria, era poder dormir. É assim que eu acordo toda sexta-feira. Querendo dormir até sábado, até domingo, até segunda, até crescer... [ou seja, dormir pra nunca mais acordar!]

Ou então, acordar em algum ponto no tempo, onde eu acordava nas manhãs frias, levava meu cobertor pro sofá e me enrolava para ver desenhos animados comendo farinha láctea.

Então, eu passo a tarde revirando lembranças, até dormir e sonhar - meu santo analgésico!

Só o que eu posso dizer hoje, é que eu tenho orgulho em concordar com todas as pessoas desse Mundo ao dizer que eu não faço parte desse Planeta.

sábado, 3 de agosto de 2013

Meus gritos sem algemas



Por quê?
Por que eu tive que gritar?
Eu poderia ter deixado pra lá, soltar um riso, dizer "É assim mesmo! A MINHA vida é assim, as coisas dão errado, é normal!" e seguido em frente.

Mas não foi assim.
NUNCA é assim.
Só Deus sabe que eu sou uma das poucas pessoas que não têm esse controle.
Eu tinha que gritar.
Eu tive que gritar.
Eu não aguentava aquele sofrimento e agora dói mais, dói também a garganta, ardem os pulsos, ardem os olhos, pois estão secos, já se esgotaram as lágrimas e ainda tem a angústia das cordas vocais danificadas por todas as vezes que já não mais suportei tantas amarguras.

Eu tive fé.
Eu vivi a fé.
Eu trabalhei, eu amei, eu vivi, eu doei, eu ri, eu sorri, eu agradei...
Mas eu fui ferida. Eu fui magoada. Eu fui rebaixada, mas mesmo assim, resisti a insultos, humilhações e golpes.
Passei por tudo jogando mágoas fora. Sempre!

Mas hoje, o que me magoa não são as pessoas. É a ausência delas, a solidão que segue desenfreada, a raiva e a depressão.

As coisas dão errado, e não é culpa de ninguém. Não fui eu que fiz o meu dia, a minha semana, o meu mês, o meu ano, as minhas duas décadas serem ruins.
Não há a quem culpar.

E por isso eu grito. Porque não está ao meu alcance modificar a minha realidade. Mas as pessoas não entendem que sou pequena demais para alcançar o equilíbrio. Que eu tenho essa limitação. Que meu transtorno afetivo não me permite ser compreendida.
Eles dizem que compreendem, mas não poderiam, pois nem ao menos sabem o que é. 

E por isso eu grito, um grito sem nome, sem palavras. Que não me salva da dor, nem a alivia. Mas que não pode ser engaiolado.


~Chele